"Sou uma vampira boazinha"


Catarina Wallenstein faz as escolhas dos trabalhos em função da sua consistência. Na série da TVI, adorou trabalhar com Maria João Luís e Rogério Samora.



Aos 23 anos, Catarina Wallenstein é o protótipo da jovem prodígio. Em tão tenra idade foi, recentemente, musa revelação do mestre realizador Manoel de Oliveira na obra "Singularidades de uma rapariga loura". A promissora e descontraída actriz formou-se em França e actua, sobretudo, na tela do grande ecrã. A série "Nome de código Sintra" da estação pública, foi uma das poucas excepções, não porque atribua um rótulo pejorativo à televisão, mas na medida em que se rege por alguma selectividade. Pequenas participações em "Conta-me como foi", da RTP, ou em "Uma aventura", da SIC, abriram precedente para que agora integre o elenco da minissérie da TVI intitulada "Destino imortal", que versa o universo vampiresco.



É muito raro aceder trabalhar no pequeno ecrã. Porquê?


Exige uma exposição massiva e constante, para não falar no ritmo frenético a que os actores estão sujeitos. Tenho algum receio de não assegurar trabalhos consistentes e essa é a minha maior preocupação. Porém, nada tem a ver com preconceito. Trata-se apenas de uma tentativa de encontrar um equilíbrio a forma como decido arriscar e a defesa da minha postura. Mas não propriamente uma opção estratégica.


O que a levou, então, a aceitar o convite para esta minissérie?


Fiquei realmente muito contente por poder voltar a fazer televisão, além disso é o meu primeiro trabalho para a TVI. Depois contempla um elenco de luxo: fazer de filha da Maria João Luís e do Rogério Samora é um grande privilégio e uma oportunidade para aprender. Mas o que mais pesou, ainda assim, foi o facto de ser uma produção curta que foge ao registo do quotidiano e onde posso experimentar coisas diferentes. Diverti-me muito.


Como entra a sua personagem nos contornos do enredo?


A minha personagem chama-se Sofia, pertence a um clã de vampiros que chega à cidade, e é a única que pode expor-se à luz do dia, conseguindo disfarçar bem a sua génese. Apaixona-se por Miguel, um ser bastante especial, interpretado por Pedro Barroso, que é um colega da faculdade.


"Destino imortal" veicula uma perspectiva maniqueísta dos vampiros?


Sim. Há vampiros bons e vampiros maus. Existem aqueles que não fazem mal, ou não perturbam ninguém, e os que continuam a acreditar apenas no sugar do sangue alheio. A minha vampira é boazinha.


É uma ficção inovadora?


Só o facto de abordar o universo do fantástico já faz dela algo de inovador. Todo o trabalho derivou de um esforço comum inacreditável. Estou muito curiosa para assistir ao resultado final.


Parece que recentemente estalou a moda dos vampiros...


Exacto. Tive de me pôr a par dessa tendência que se deve muito à febre do "Crepúsculo". E há imensas séries no ar como "Vampire diaries", "True blood", entre muitas outras.


Inspirou-se em alguma delas para construir a Sofia?


Vi um pouco de cada uma para respirar aquela ambiência. Tive curiosidade em perceber como se posicionava a nossa série em relação àquilo que é escrito e feito em outros sítios.


A que tipo de pesquisa procedeu?


A construção da personagem passa, sobretudo, por imaginá-la e fazê-la viver. Tem a ver com um lado mais animal, do campo dos instintos. O lema é agir primeiro e pensar depois, nunca ao contrário. A partir daí, há a descoberta de um corpo, de um olhar. Mas não tenho grande metodologia ou inspiração concreta.


A SIC também vai estrear uma novela juvenil sobre vampiros. Não andam todos a copiar a mesma receita?


A única coisa que o ser humano sabe fazer é copiar os comportamentos dos outros, mesmo nas coisas boas e positivas.


Como explica que este tema suscite tanto interesse de súbito? Estamos perante um fenómeno?


Não é bem um fenómeno. Há uns anos, também tínhamos a saga do "Harry Potter". E não nos podemos esquecer de que os vampiros são um mito europeu. Há histórias pulverizadas por todo lado que relatam alegados casos reais. É normal que as pessoas se identifiquem com a temática.


Tem outros projectos profissionais na calha?


Para já, estou paradinha. Não faço ideia do que possa vir por aí. Não tenho nada planeado.




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