Dona da TVI vai comprar terrenos por 1000 mil euros

A Media Capital deverá comprar cerca de 50 hectares para instalar o seu projecto, caso o protocolo de intenções acordado com a Câmara de Sintra e o Casal da Granja de Santa Cruz avance. Tudo depende agora da aprovação de um projecto de potencial interesse nacional



A Media Capital, detentora da TVI, vai comprar um terreno de 50 hectares para a construção da cidade cenográfica por 1000 (mil) euros, caso o protocolo de intenções celebrado com a Câmara de Sintra e o Casal da Granja de Santa Cruz - Promoções Turísticas Imobiliárias avance para um acordo definitivo. Acresce a este facto que parte do terreno está situado em Reserva Eológica Nacional (REN), de acordo com o deputado municipal Miguel Carretas.

No ponto 5, denominado "Acordo para a Transmissão", do protocolo de intenções, a que o DN teve acesso, pode ler-se "A Granja de Santa Cruz manifesta a sua intenção de vender à MCP (Media Capital Produções) por 1000 euros os prédios MC (área de 500 mil metros quadrados onde será instalado o projecto), livres de quaisquer ónus ou encargos e desocupados de pessoas e bens, a favor da MCP." 


Da parte da Media Capital, fonte da empresa afirmou ao DN que "desde a apresentação da telenovela Flor do Mar, no Funchal, que não fará mais comentários sobre o assunto cidade cenográfica". O DN tentou encontrar um contacto da empresa Casal da Granja, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.

Entretanto, quem ficou com dúvidas sobre o protocolo, aprovado pelo Executivo a 12 de Outubro, e levado à Assembleia apenas para informação, foi Miguel Carretas, deputado municipal da CDU. Este político local questionou-se se não vai ser permitido "um projecto de construção imobiliária a cavalo de um projecto de potencial interesse nacional (PIN) apoiado pela câmara para que possa ser adquirido direito de construção".

"Trata-se de um terreno de 200 hectares, 50 deles em REN, e é nesse espaço que se pretende instalar a Cidade do Cinema (cidade cenográfica), um projecto PIN", garante o deputado. A CDU teme sobretudo os "outros investimentos de dimensão considerável" mencionados para os restantes 150 hectares e recorda que sem o negócio da Media Capital, aquele terreno "não poderia ter uso urbano".

O protocolo pressupõe uma candidatura ao PIN (que terá de ser aprovado pelo Governo) e a elaboração de um Plano de Pormenor, condições sem as quais o projecto não poderá avançar. O autarca Fernando Seara garante que "nenhuma questão será desenvolvida sem passar pela Câmara de Sintra e pela Assembleia Municipal". Mas avisa: "Não permitirei que em alguns casos seja aprovado o PIN e noutros não seja, na Margem Norte ou na Margem Sul, no Algarve ou no Litoral Centro. Se cumprir as regras, será aprovado", reforça.

 


 

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